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Em quem votei na última eleição?

quarta-feira, 23 de junho de 2010.



Uma imensa calçada no Centro de Fortaleza me chamou a atenção. Todas as noites, homens, mulheres e algumas crianças a utilizam como um grande dormitório, inclusive com direito à divisões imaginárias: mulheres dormem do lado direito do portão central e os homens do esquerdo. Paradoxalmente, a loja  é uma das maiores em vendas no setor de construções.
No Brasil essa cena tornou-se corriqueira, um fato registrado a olhos nus, mas que estatísticamente fica difícil comprovar, pois o número exato de moradores de rua não faz parte dos censos demográficos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), justamente por causa da ausência de domicílio. Porém, em 2007 o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) realizou uma pesquisa em nível nacional sobre essa população.
O que dizem os números?
Os dados coletados revelam que os principais motivos que levam as pessoas a viver e morar na rua  estão ligados a  problemas de alcoolismo ou drogas (35,5%), de desemprego (29,8%) e de desavenças com parentes (29,1%), pelo menos um desses três motivos foram citados por 71,3%  dos entrevistados.A pesquisa também mostrou que muitos apresentaram históricos de internações em instituições: 28,1% afirmaram já ter passado por casa de recuperação de dependentes químicos; 27% já estiveram em algum abrigo; 17% admitiram já ter passado por alguma casa de detenção; 16,7% afirmaram já ter passado por hospital psiquiátrico; 15% estiveram em orfanato; 12,2%, na Febem ou instituição equivalente.
Mas voltando a realidade…
Esses números retratam estatísticas para a sociedade brasileira, mas para os moradores de rua não passam de um difícil cotidiano, como o que pode ser visto todos os dias na calçada daquela loja. O muro baixo, com pouco mais de um metro e meio de altura, serve como uma espécie de  cabeceira da grande cama-calçada. Nela, os moradores de rua dormem enfileiradamente, embrulhados em papelões, provavelmente recolhidos pela cidade.
Outros, ainda se alimentam, seja com restos de comida ou com bebidas alcoólicas.Quando chove, eles utilizam o estacionamento de um comércio enfrente, mas cotidianamente a loja de material de construção serve de abrigo para os moradores.
Talvez alguns deles possam ser usuários do Centro de Atendimento à População de Rua (CAPR), entidade existente em Fortaleza e que apóia essa população através de serviços como: guarda-volume, banho e lavagem de roupas.Como também, nas atividades  socioeducativas e artísticas,incluindo acesso ao serviço de documentação oficial, identificação familiar e  encaminhamento a outros serviços públicos. Outros talvez  nem conheçam esse projeto.
Para esses moradores de rua terem uma casa, vai muito mais além do que  transpassar o pequeno muro da loja e adentrar o imenso saguão, onde existem tijolos, telhas, pisos, janelas e portas. Para eles é preciso, que todos que passam por aquele imenso dormitório à céu aberto, possam relembrar antes de deitar e dormir em suas casas e  camas confortáveis, a seguinte questão: o que tenho a ver com isso ou será que lembro em quem votei na última eleição?
Bom, é hora de acordar. De todas as formas…

*Galbia Angélica é estudante de Jornalismo

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