Numa noite de desfiles mornos, a Unidos da Tijuca entrou na Marquês de Sapucaí botando medo nos concorrentes . Não só por surpresas como uma comissão de frente com integrantes representando Caronte - figura da mitologia grega que era responsável por transportar numa barca os mortos para o mundo inferior -, que ora perdiam a cabeça, ora tinham o tronco separado dos membros inferiores. Mas também porque foi a única das seis agremiações que desfilaram domingo a ouvir gritos de "é campeã" (logo corrigido para "bicampeã") tanto no setor 1 quanto na apoteose.
A quarta escola a se apresentar na primeira noite de desfiles do Grupo Especial, com o enredo "Esta noite levarei sua alma", já era tida como uma das grandes favoritas deste ano, ao lado da Beija-Flor, que é a última a passar pela avenida nesta segunda-feira, mostrando a vida de Roberto Carlos. E fez sua parte, embora tenha corrido para não estourar o tempo, entre outros deslizes.
Mas quem vem correndo por fora é a Mangueira, que empolgou com suas paradinhas . Ou melhor, "paradonas": ritmistas e puxadores faziam silêncio por longos segundos, deixando componentes e público levarem sozinhos o samba, em homenagem a Nelson Cavaquinho. Um espetáculo de arrepiar.
Na Tijuca, o carnavalesco Paulo Barros voltou a inovar a expressão "brincar carnaval" em seu melhor sentido, divertindo e surpreendendo com alegorias como o abre-alas (a belíssima barca de Caronte, com suas almas brancas e etéreas) e o elemento cenográfico dos transformers, em que pessoas surgiam de "caixinhas" dobráveis em formato de carrinho, além dos carros alegóricos da Montanha dos Gorilas, com primatas se atirando em direção ao público, e o de Harry Potter, com sua gigantesca e móvel mesa de jantar.
Mas, apesar do competente refrão, o samba não empolgou e a escola teve problemas para colocar o abre-alas na avenida, empacando logo no início da apresentação, para depois ter que recuperar o tempo perdido. Outro percalço foi o fato de uma parte do carro Avatar ter sido avariada.
Nada, porém, que ofuscasse o desfile aos olhos do público. Principalmente depois de apresentações sem brilho, como a da São Clemente e da Imperatriz Leopoldinense. A escola de Botafogo foi a primeira a desfilar na noite de domingo, com o enredo "O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado por Deus e bonito por natureza!". Na sequência, a verde e branco levou para a avenida "A Imperatriz adverte: sambar faz bem a saúde".
A terceira a desfilar foi a Portela ("Azul da cor do mar") , uma das três escolas atingidas pelo incêndio que destruiu parte da Cidade do Samba . Hour concours como Grande Rio e União da Ilha (que se apresentam hoje), a escola de Osvaldo Cruz tentou compensar as fantasias pobres e os carros com detalhes em ferro, sem acabamento, com a garra de seus integrantes e o apoio de sua enorme torcida. Mas, por causa de um atraso de três minutos, pode ser multada, como manda o regulamento, mesmo não sendo julgada. Segundo o presidente da Liga das Escolas de Samba do Grupo Especial (Liesa), Jorge Castanheira, o caso será analisado.
Unidos de Vila Isabel (com Rosa Magalhães dando um toque de Imperatriz à escola, que trouxe enredo sobre cabelos) e Mangueira fecharam o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial debaixo de chuva. Principalmente a verde e rosa, que demorou cerca de meia hora para iniciar seu desfile, mas foi aguardada pacientemente por arquibancadas ainda lotadas. Esta segunda-feira, outras quatro escolas entram na briga pelo título, pois Grande Rio e União da Ilha, também atingidas pelo incêndio na Cidade do Samba, não podem ser campeãs.
Fonte: O GLOBO
























































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